Portas corta-fogo: classes, fecho automático e manutenção
Como funcionam as portas resistentes ao fogo, o que a lei exige e o que verificar para que fechem e selem quando é preciso.
Uma porta corta-fogo só cumpre a função se estiver fechada e selada durante o incêndio. Por isso a lei trata o fecho automático, o rótulo e os acessórios como parte da porta, e não como detalhes.
O que é e para que serve
- Separa compartimentos de fogo e protege as vias de evacuação, com resistência ao fogo e ao fumo
- É um conjunto certificado: folha, aro, ferragens, vedantes e fecho, ensaiados em conjunto
- Se se trocar uma peça por outra não certificada, a classe de resistência deixa de estar garantida
Classes de resistência (Nota Técnica 10)
- E: estanquidade (impede a passagem de chamas e gases quentes)
- EI: estanquidade e isolamento térmico (limita o aquecimento da face oposta)
- EW: estanquidade e redução da radiação
- A classe da porta deve ser, em regra, metade da resistência ao fogo da parede onde se insere
O que a lei exige
- Fecho automático em qualquer circunstância, quer a porta esteja normalmente aberta ou fechada
- Não se admitem retenções mecânicas que dependam de uma pessoa para fechar. Se a porta é mantida aberta, o retentor é eletromagnético e liberta com o alarme
- Portas de duas folhas exigem acessório que seleciona a ordem de fecho
- Rótulo permanente com o número do certificado, o fabricante, o laboratório e a classe
- Declaração de conformidade do fabricante, manual de instalação e manutenção e declaração de aplicação do instalador
Acessórios que contam
- Molas recuperadoras com marcação CE (EN 1154), classificadas por durabilidade, de C0 a C5, conforme os ciclos
- Barras antipânico (EN 1125) são obrigatórias em certas saídas, por exemplo com mais de 200 pessoas, e não podem reduzir a resistência da porta
- Vedantes intumescentes e de fumo, dobradiças e fechaduras certificadas para a porta
O que verificar com regularidade
- A porta fecha sozinha e encosta bem à ombreira, sem calços, cunhas ou extintores a segurá-la
- Vedantes inteiros e sem tinta por cima, folgas dentro do indicado pelo fabricante
- Mola sem fugas de óleo e com o fecho regulado, seletor de fecho a funcionar nas duas folhas
- Retentor eletromagnético a libertar com o alarme de incêndio
- Rótulo legível, sem furos, cortes ou ferragens acrescentadas pelo utilizador
- A Nota Técnica 10 não fixa uma periodicidade. Aplica-se o manual do fabricante e o plano de manutenção do edifício
Erros comuns
- Calçar a porta aberta com um objeto
- Furar a folha ou o aro para instalar fechaduras, leitores ou sinalética
- Pintar sobre vedantes, rótulos e dobradiças
- Trocar a mola por uma de menor capacidade só para a porta ficar mais leve
- Ligar um controlo de acessos sem garantir que a porta abre em caso de emergência
Fontes e referências
- RT-SCIE (Portaria 1532/2008, na redação da Portaria 135/2020)
- ANEPC, Nota Técnica n.º 10: Portas resistentes ao fogo
- EN 1154 (molas), EN 1125 (barras antipânico), EN 16034 e EN 13501-2 (resistência ao fogo)
Informação geral e resumida. A aplicação ao seu edifício depende da utilização-tipo, da categoria de risco e do projeto aprovado. Ver as medidas na página SCIE.
Perguntas frequentes
Posso deixar a porta corta-fogo aberta?
Só com retentor eletromagnético ligado à deteção de incêndio, que a liberta com o alarme. Um calço ou uma cunha não é permitido.
Como sei se a porta é mesmo corta-fogo?
Pelo rótulo permanente na folha ou no aro, com o número do certificado, o fabricante, o laboratório e a classe, e pela declaração de conformidade.
De quanto em quanto tempo se faz manutenção?
A Nota Técnica 10 remete para o manual do fabricante. Na prática, verifica-se pelo menos uma vez por ano, e logo que haja danos, obras ou alterações.
Posso instalar um leitor de cartões numa porta corta-fogo?
Só com solução compatível com o certificado da porta e com abertura garantida em emergência. Não se fura nem se altera a porta sem avaliar o impacto na classe.
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